2015-6-15

SOFT

Universidade Autónoma de Barcelona

Sistema para Avaliação Cognitiva de Trabalhadores com deficiência

Investigadores do Grupo Transmedia da Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) criaram o PROLOG, uma ferramenta e protocolo informático para a avaliação cognitiva de pessoas com deficiência intelectual ou doença mental de âmbito laboral. O projeto está enquadrado na Cátedra Indra-Fundação Adecco de Investigação em Tecnologias Acessíveis da UAB

Sistema para Avaliação Cognitiva  de Trabalhadores com deficiência

Desenvolvido no âmbito da Cátedra Indra-Fundação Adecco de Investigação em Tecnologias Acessíveis, PROLOG é a primeira plataforma de software que adapta testes padronizados de avaliação cognitiva ao formato de videojogos

A plataforma PROLOG é a primeira na sua área que adaptou testes padronizados de capacidades cognitivas ao formato dos videojogos e que incorporou uma tecnologia que permite fazer as provas apenas com o movimento corporal. Isto facilita a avaliação num cenário quotidiano – no local de trabalho ou no lar – de modo natural e lúdico, assim como veicular os resultados a uma medida objectiva validada, que sirva para complementar o diagnóstico e avaliação do especialista ao longo do percurso laboral.

A primeira versão implementada do PROLOG consiste em três testes que medem a capacidade de atenção no formato de videojogo e de uma aplicação para a gestão dos testes e dos resultados obtidos.

Os testes são apresentados como um jogo de mesa virtual com diferentes figuras, com as quais os utilizadores realizam diferentes tarefas que permitem estudar variáveis como o tempo de reação, tomada de atenção e problemas de lateralidade.

A aplicação permite realizar configurações específicas dos testes, adaptando o nível de dificuldade desejado para cada utilizador, facilitando a gestão de todos a informação referente a cada utilizador, criando de forma automática um historial sobre a evolução das suas capacidades e habilidades.

Os investigadores verificaram a eficácia do PROLOG no Centro Especial de Emprego Prodis de Terrasa, com trabalhadores com deficiência mental que realizam trabalhos de montagem de peças, e destacam que pode ter um importante impacto social, melhorando o controlo de riscos de saúde e segurança nos centros especiais de emprego.

“O nosso objectivo é que no futuro os resultados obtidos com o PROLOG se incorporem no protocolo atual para medir o grau de deficiência nas administrações públicas, como complemento às avaliações dos especialistas da área”, explica Pilar Orero, investigadora da UAB e coordenadora do projeto. “Além disso, a possibilidade de ter um registo de cada trabalhador permitiria destacar melhor os casos de deterioramento cognitivo, algo difícil de fazer atualmente, e que poderia ser utilizado para solicitar a incapacidade laboral ou de aposentação e para avaliar os níveis de risco laboral”, conclui.

Atualmente o protocolo para medir o grau de deficiência e de inserção laboral é realizado por pessoal especializado e requer a presença física da pessoa, tanto na aprendizagem como na avalização destas capacidades.

O sistema PROLOG serve também para os utilizadores treinarem de forma independente as suas habilidades e apoiar a avaliação e a terapia de algumas capacidades por parte de pessoal especializado nos centros de trabalho, como terapeutas ou monitores.

O projeto já se encontra na sua última fase de desenvolvimento, ampliando o número de testes para avaliar outras habilidades cognitivas, como de memória ou de desempenho, e incorporando novos exercícios de manutenção ou melhoria. Também se pretende expandir a validação do sistema, para consolidar os resultados obtidos até ao momento. Os investigadores estão ainda a trabalhar na aplicação do sistema para dispositivos móveis.

Para o desenvolvimento de videojogos PROLOG, contou-se ainda com a participação da empresa Kaneda Games.

Colaboração em tecnologias acessíveis

O projecto PROLOG é a primeira iniciativa realizada no âmbito da Cátedra Indra-Fundação Adecco de Investigação em Tecnologias Acessíveis da UAB, lançada em 2013 e renovada a 3 de junho.

No total, são 11 as Cátedras de Investigação em Tecnologias Acessíveis que a Indra, como parte da sua responsabilidade corporativa, lançou em colaboração com a Fundação Adecco e diferentes universidades espanholas, a que se somam três outras Cátedras na América Latina. O objetivo é investigar e desenvolver soluções e serviços que facilitem o acesso à tecnologia e à integração social e laboral das pessoas com deficiência.

A Cátedra da UAB é também fruto do quadro de colaboração assinado pela Indra e pela UAB em setembro de 2012. O objetivo deste acordo é promover acordos específicos entre a Indra e diferentes grupos de investigação da UAB, assim como o desenvolvimento de projetos conjuntos de I+D+I em diferentes áreas de atividade. Está igualmente prevista a promoção das relações académicas para a realização de seminários e sessões de formação. O intercâmbio de experiências e a mobilidade de professores e alunos de pós-graduação da UAB para a formação em temas de investigação na Indra.

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