2014-6-30

OPINIÃO

A Nova Revolução

Banda larga e a Internet of Everything

Nas últimas décadas a Internet mudou as nossas vidas, transformando a forma como trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, facilitando avanços impensáveis como a saúde à distância ou a educação online

Banda larga e a Internet of Everything

Nuno Ferraz de Carvalho, Director-Geral da Cisco Portugal

Hoje encontramo-nos perante uma nova revolução cujo impacto será cinco a 10 vezes superior àquele provocado pela Rede. É o que chamamos de Internet of Everything (IoE), os milhares de milhões de conexões entre pessoas, processos, dados e objectos (13 mil milhões actualmente e 50 mil milhões previstos para 2020) que geram enormes oportunidades de progresso para países, empresas e sociedade em geral.

As organizações que aproveitem a IoE para converter em informação útil os dados provenientes das conexões poderão reduzir custos e optimizar processos, assim como gerar benefícios através da oferta de novos produtos, serviços e experiências melhorados para clientes e cidadãos; um valor que a Cisco estima em 19 triliões de dólares (14,5 triliões de euros) para empresas e Administrações Públicas em todo o mundo até 2022.

Um exemplo é Barcelona. Através da gestão inteligente da água – sensores que indicam fugas e picos de consumo –, o município poupou já 42 milhões de euros; com a iluminação inteligente reduziu um terço da fatura elétrica (27 milhões de euros); além de ter gerado 47 mil empregos relacionados com as smart cities.

Outros casos ainda: a aplicação inteligente em São Carlos (Califórnia) que indica aos condutores os lugares de estacionamento livres em tempo real – com a consequente poupança de tempo e emissões de CO2 – ou os sensores das vinhas de uma empresa italiana que monitorizam a colheita e previnem pragas.

A rede como Denominador Comum
Diferentes tendências tecnológicas combinam-se para convergir na realidade que é a IoE, incluindo a Cloud, a mobilidade, a análise através de ferramentas de Big Data e o crescimento exponencial da Internet of Things. Todas elas têm um denominador comum: redes IP capazes de conectar de forma transparente ambientes de TI heterogéneos e otimizar os processos das organizações para aumentar a eficiência e reduzir os custos.

De acordo com o último Global Information Technology Report do Fórum Económico Mundial, os países com melhor infraestrutura de rede classificados no índice Networked Readiness – Portugal ocupa o 33º lugar de um total de 148 países – são aqueles que mais possibilidades têm de aproveitar o valor que resulta de combinar a IoE e o Big Data.

O relatório destaca que as empresas que estão a aplicar o Big Data para melhorar processos produtivos obtiveram 26% de melhoria no seu rendimento de negócio e terão a capacidade de aumentar os seus benefícios corporativos em 21% nos próximos oito anos.

Também um estudo elaborado pela consultora Deloitte e o organismo GSMA baseado no Relatório Cisco VNI revela que, a cada vez que se duplica a utilização de dados móveis, o PIB per capita aumenta 0,5 pontos percentuais. Os países que se destacam com maior nível de utilização de dados já conseguiram inclusivamente aumentar o seu PIB até 1,4%, enquanto nos mercados emergentes a ampliação da banda larga móvel em 10% aumentou a produtividade 4,2%.

Desafios a Superar
A quantidade de tráfego de dados nas redes móveis vai multiplicar-se por 67 entre 2007 e 2017. Mas há ainda que superar alguns desafios técnicos e administrativos, tais como dar um maior impulso à adoção do protocolo IPv6 (que não limita o número de direções IP assignadas a cada objeto), definir modelos comuns a diferentes sectores, assim como alargar o espectro disponível para banda larga e o espectro não licenciado para as conexões Wi-Fi.

Melhorar a capacidade das redes IP para transmitir dados que depois serão processados é outro dos desafios que se soma ainda à necessidade de dotar de inteligência e capacidade de análise essas mesmas redes – e não apenas de forma centralizada na Cloud –, o que pode acelerar o impacto positivo resultante da IoE e do Big Data.

Na sua curta vida, a Internet já proporcionou múltiplos benefícios, melhorando o acesso à informação, facilitando o crescimento económico através do e-commerce, optimizando os processos de negócio e a produtividade, além de permitir a colaboração entre as pessoas. A partir de agora, a IoE tem o potencial de melhorar ainda mais as nossas vidas, facilitando praticamente tudo o que podemos imaginar, como por exemplo: a utilização de sensores nas florestas para detectar fogos, o controlo de migrações de aves para prevenir pragas e ainda a aceleração da descoberta de curas para doenças e melhoria de gestão das mudanças climáticas.

Neste mundo de infinitas possibilidades é preciso que as empresas e os Governos se apoiem no poder das redes IP, conectando milhares de milhões de pessoas, processos, dados e objetos através de uma infraestrutura aberta, segura, dinâmica e integradora que inclua desde centros de dados até ao dispositivo conectado a partir do lugar mais remoto.

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